Hipertireoidismo Congênito

Hipertireoidismo Congênito

março 21, 2019 0 Por Daniela

O Hipertireoidismo é uma disfunção da glândula tireoide caracterizado pelo aumento de produção de tiroxina (T4) e tri-iodotironina (T3), hormônios responsáveis pelo funcionamento do metabolismo, ou seja, a forma como o corpo gasta energia. Nessa condição, há uma hiperatividade na glândula, que pode desencadear uma série de complicações de saúde mais graves e alterações no organismo, principalmente quando não tratada adequadamente.

Na gravidez, o Hipertireoidismo pode ser ainda mais perigoso, afetando tanto a mãe quanto o bebê de forma extremamente negativa. Por esse motivo, é indicado que mulheres com disfunções da tireoide tratem sua condição antes de engravidar. Os riscos incluem o desenvolvimento de Hipertensão e Insuficiência cardíaca congestiva para a gestante, além de abortamento, parto prematuro e mal desenvolvimento do feto.

Uma das complicações mais graves do Hipertireoidismo na Gravidez é o possível desenvolvimento de disfunções na tireoide do bebê, que pode até mesmo levar à morte do recém-nascido quando não tratadas.

O que é Hipertireoidismo Congênito?

mãe segurando seu bebê

O Hipertireoidismo Congênito é uma dessas disfunções da tireoide, que embora seja bastante raro, pode ser desenvolvido quando a mãe não recebe o tratamento necessário para o Hipertireoidismo durante a gestação, afetando também a qualidade de vida do bebê.

A principal causa dessa condição está relacionada à Doença de Graves materna, que pode ter sido desenvolvida antes ou durante a gravidez. Essa doença autoimune é caracterizada pela existência de anticorpos que estimulam a produção em excesso de hormônios da tireoide, aumentando a glândula. Quando esses anticorpos atravessam a placenta e atingem o feto, fazem com que a glândula dele também produza mais hormônios, o que pode causar a morte ou parto prematuro quando não tratado adequadamente.

Sintomas

mãe abraçada no seu bebê

Ao nascer, o bebê pode apresentar uma série de sintomas que devem ser notados imediatamente para que seja possível evitar problemas de saúde futuros.

Os principais sinais de Hipertireoidismo no recém-nascido são:

  • Frequência cardíaca acelerada
  • Irritabilidade
  • Apetite em excesso
  • Pouco ganho de peso
  • Diarreias
  • Vômitos
  • Náuseas
  • Saliência dos olhos (exoftalmia)

Bócio Congênito

Além dos sintomas citados a cima, a criança pode também apresentar um aumento na glândula tireoide (Bócio Congênito), que pode causar dificuldades para engolir ou respirar. Em alguns casos, essa condição pode ser tratada através de uma cirurgia após o nascimento, pois a persistência da mesma pode influenciar em risco de vida para a criança.

Riscos

Como visto anteriormente, o Hipertireoidismo Congênito, quando não tratado, pode causar uma série de problemas no desenvolvimento do feto e qualidade de vida do bebê, incluindo arritmia cardíaca, insuficiência cardíaca congestiva e retardo mental. É possível também que a criança sofra com baixa estatura, bossa frontal, hepatoesplenomegalia (aumento do tamanho do fígado e do baço), microcefalia e craniossinostose.

Diagnóstico e Tratamento

mulher grávida consultando médico

Para evitar maiores complicações, o diagnóstico precoce de Hipertireoidismo Congênito é extremamente essencial. No entanto, é possível identificar a doença após o nascimento, exigindo também um tratamento imediato.

Diagnóstico Fetal

Através da ecografia obstétrica é possível identificar alterações na glândula tireoide do feto, que pode apresentar bócio e aceleração da idade óssea. Outro grande fator notado em casos de Hipertireoidismo Congênito é a frequência cardíaca do bebê, que nesse caso costuma estar elevada.

Diagnóstico Recém-nascido

Geralmente, quando a mãe já apresenta um histórico de Doença de Graves, o médico pode desconfiar de Hipertireoidismo a partir dos sintomas apresentados pelo recém-nascido, incluindo baixo ganho de peso, apetite em excesso, taquicardia, irritabilidade, bócio, entre outros.

Para realizar o diagnóstico, exames de sangue são feitos a fim de encontrar altos níveis de hormônios tireoidianos e de anticorpos estimulantes da tireoide da mãe na corrente sanguínea do bebê. É importante ressaltar que o tratamento deve ser iniciado imediatamente após a detecção da condição na criança.

Tratamento Fetal

O tratamento fetal é geralmente feito com o uso de drogas antitireoidianas pelas gestantes, que podem atravessar a placenta e reduzir os sintomas da doença. Esses remédios agem controlando a produção de hormônios tireoidianos pela glândula e, consequentemente, diminuindo a quantidade deles no sangue. É importante ressaltar que o o tratamento com antitireoidianos pode causar o efeito contrário do Hipertireoidismo, desencadeando um quadro de Hipotireoidismo Fetal quando usados em excesso.

Tratamento Recém-nascido

Na maioria das vezes, o bebê apresenta os sintomas do Hipertireoidismo apenas por um curto período de tempo, pois não está mais em contato com os anticorpos da mãe. No entanto, se os sintomas persistirem, é recomendado que se realize um tratamento com antitireoidianos, como o metimazol , para reduzir a atividade da glândula tireoide e liberação de hormônios no sangue. Além disso, betabloqueadores também podem ser recomendados, uma vez que seu uso pode melhorar os sintomas de taquicardia no bebê, reduzindo a frequência cardíaca do mesmo.

Hipertireoidismo Congênito pode matar?

Sim, essa condição pode levar à morte quando não tratada adequadamente com acompanhamento médico. A taxa de morte após o nascimento está entre 12-20%, geralmente causada por insuficiência cardíaca e compressão da traqueia pelo bócio.

 

Fontes:

http://docs.bvsalud.org/biblioref/2018/03/880505/hipertireoidismo-neonatal.pdf

http://www.moreirajr.com.br/revistas.asp?fase=r003&id_materia=4221