Hipertireoidismo: Causas

Hipertireoidismo: Causas

março 13, 2019 0 Por Daniela

A glândula tireoide faz parte do sistema endócrino e está localizada na parte da frente do pescoço, abaixo da faringe, com o formato parecido com o de uma borboleta. Ela é responsável pela produção dos hormônios tiroxina (T4) e tri-iodotironina (T3), que possuem funções bastante importantes para o organismo, controlando a forma como as células do corpo gastam sua energia. Esse processo leva o nome de metabolismo, e qualquer alteração na tireoide pode causar efeitos diretos em seu funcionamento.

O Hipertireoidismo é uma disfunção tireoidiana caracterizada pelo aumento na produção dos hormônios T3 e T4. Essa hiperatividade faz com que mais hormônios sejam levados à corrente sanguínea e acelerem o metabolismo, resultando na perda de peso súbita e outros sintomas bastante incômodos, como:

  • Aumento do apetite
  • Ansiedade
  • Aumento da umidade da pele
  • Sensibilidade à luz
  • Vermelhidão nas palmas das mãos
  • Irritabilidade
  • Nervosismo
  • Fraqueza nas unhas
  • Fraqueza muscular
  • Palpitações e arritmia cardíaca
  • Hipertensão arterial
  • Suor em excesso
  • Tremores em algumas partes do corpo, como mãos e dedos
  • Glicose alta no sangue
  • Fadiga
  • Queda de cabelo ou fios quebradiços
  • Bócio, um aumento do volume da tireoide
  • Anemia
  • Diarreia
  • Aumento da vontade de urinar
  • Dificuldade para concentração
  • Insônia
  • Amnésia
  • Irregularidades no ciclo menstrual
  • Aumento das mamas em homens
  • Infertilidade

Esse distúrbio é mais comum em mulheres do que em homens, principalmente nas idades entre 20 e 40 anos. Além disso, pessoas que têm histórico familiar com Hipertireoidismo também estão nos fatores de risco e, por isso, devem realizar exames de rotina para tentar prever a condição antes que ela se torne mais grave.

Principais Causas

mulher com mão no pescoço, conferindo tireoide

Doença de Graves

A principal causa do Hipertireoidismo está relacionada a Doença de Graves, sendo mais comum entre o público feminino. Por se tratar de uma doença autoimune crônica, os anticorpos do organismo acabam atacando a tireoide e alterando suas funções, causando a hiperatividade na produção de hormônios e aumento da glândula.

A Doença de Graves pode surgir em sua forma normal ou com manifestações específicas, que geralmente atingem a visão. A condição conhecida como Oftalmopatia de Graves é caracterizada por uma alteração na órbita do olho, resultando no deslocamento do globo ocular para frente.

Embora que seja raro, é possível que a pele também sofra alterações devido a essa doença, sendo conhecida como um subtipo chamado Dermopatia de Graves. Nessa condição, a pele acaba adotando um aspecto mais grosso e avermelhado, principalmente nas partes inferiores do corpo.

Outras causas

O Hipertireoidismo pode ocorrer de forma breve (agudo) ou por um longo período de tempo (crônico). Embora que a Doença de Graves seja a principal desencadeadora, outras doenças e condições também podem levar a um quadro desse distúrbio, incluindo:

  • Ingestão em excesso de iodo – O iodo estimula a produção de hormônios tireoidianos e, por isso, pode influenciar no aparecimento de Hipertireoidismo quando consumido excessivamente.
  • Nódulos tireoidianos – Os nódulos são tumores na glândula tireoide, que causam o aumento da produção de hormônios tireoidianos. No geral, essa condição não é cancerígena, mas deve ser imediatamente tratada.
  • Tireoidite subaguda – É caracterizada por uma inflamação na tireoide que causa muita dor. Essa condição é geralmente desencadeada por vírus.
  • Tireoidite linfocítica – Essa condição é caraterizada por uma inflamação indolor na tireoide, causada pela infiltração de linfócitos na glândula. É importante ressaltar que mulheres no período pós-parto têm mais chances de desenvolver o problema.

Diagnóstico e Tratamento

homem fazendo exame físico de tireoide

O diagnóstico de Hipertireoidismo é geralmente feito através de um exame físico, para analisar se existe a presença de nódulos na região da glândula tireoide. Um exame de sangue também é realizado para medir a quantidade de T3 e T4, assim como a dosagem de TSH. Uma vez que os resultados apresentarem níveis altos desses hormônios e um nível baixo de TSH, a hiperatividade da glândula é diagnosticada.

O tratamento para Hipertireoidismo depende muito da causa e gravidade dos sintomas. No geral, é possível controlar o funcionamento da glândula tireoide através de remédios específicos para a condição, embora que às vezes eles não sejam suficientes para acabar com o problema.

As principais formas de tratamento para Hipertireoidismo são:

Medicamentos antitireoidianos

Os medicamentos antitireoidianos, como o Metimazol e Propiltiouracil, são capazes de diminuir a produção de hormônios pela glândula tireoide, assim como a quantidade de anticorpos que atacam o seu funcionamento. Embora seja bastante usado, esse tratamento pode não ser o suficiente para curar o problema.

Iodo Radioativo

A ingestão de iodo radioativo leva a destruição permanente das células da glândula tireoide, resultando na diminuição gradativa da produção de hormônios. A cura do Hipertireoidismo é possível com esse tratamento, no entanto, a pessoa provavelmente precisará repor os hormônios tireoidianos através de comprimidos pelo resto da vida, a fim de manter os níveis hormonais estáveis.

Cirurgia

Nos casos em que a doença não consegue ser tratada com o uso de remédios, a cirurgia pode ser indicada. Dessa forma, uma parte ou toda tireoide é retirada, exigindo a reposição hormonal de T3 e T4 pelo resto da vida. A recuperação pós-cirurgia costuma ser bastante simples, sendo indicado que não se faça esforços físicos para evitar inchaço ou sangramento no local do corte.

Fontes:

http://www.hu.ufsc.br/setores/endocrinologia/wp-content/uploads/sites/23/2015/01/PROTOCOLO-DE-HIPERTIREOIDISMO-NO-ADULTO-OK-06-de-agosto.pdf

http://www.scielo.mec.pt/pdf/am/v22n4-5/22n4-5a07.pdf